Esse livro é inteiramente metafórico. Tudo nele são alusões para um espírito sutil. Os pássaros podem ser anjos ou, em outra exegese, a próprios adeptos do Sufismo em busca de Verdade eterna e imutável. Uma das enunciações da doutrina islâmica que se refletem no Sufismo se baseia em um triângulo, cuja base é formada pela shari'ah e a hagiqah. Em termos mais claros: a religião positiva (a shari'ah) é o aspecto esotérico da Idéia (a haqiqah), e a Idéia, por sua vez, é o aspecto esotérico de religião positiva. A religião positiva é o símbolo; a Idéia é o simbolizado. O exotérico está em perpétua flutuação como as onda do mar, criando formas efêmeras de acordo com as épocas e nações do mundo. Já o esotérico é uma Energia divina, o fundo imutável dos oceanos, que não está submetido à transformação, ao devir. Por tanto, a religião não pode assumir um caráter dogmático. Para se chegar até ela são necessários iniciadores gulas: a tarikah, ou o método ou meu entre os dois elementos componentes, a religião exteriorizada e o Espírito essencial da espiritualidade divina. R$ 44,00
FÉLIX ou O Livro das Maravilhas é uma das primeiras novelas de cunho filosófico-social escritas na Europa medieval. Novela, em catalão medieval, significa uma boa nova, uma novidade. Foi escrita por Raimundo Lúlio (1232-1316) em Paris em 1288-1289, durante sua primera visita àquela cidade. Lúlio tinha, então, cerca de 56 anos:já era um homem velho para os padrões medievais. Sua visão sobre a sociedade cristã, sobre a monarquia e sobre os poderes contituídos já estava solidamente arraigada. O livro das Maravilhas é um grande espetáculo, onde o mundo medieval e especialmente os diágolos medievais são postos em cena. O protagonista - Félix - é, sobretudo, um anfitrião que recebe em seu caminho todo o espectro social do século Xlll. E o mais importante: essa enciclopédia do conhecimento em forma de literatura fantástica que é O Livro das Maravilhas tem como epicentro o homem - quase 60% da sua obra é reservada à Humanidade, pois para Lúlio e para todos os homens do século Xlll somos o ápice da criação divina. Clique aqui para ver o índice.
A obra Livro dos Anjos (1274-1283), do maiorquino Raimundo Lúlio (1232-1316), que é pela primeira vez editada em língua portuguesa, além de nos presentear com uma tradução inédita do catalão medieval, também nos oferece uma excelente introdução com a análise hermenêutica do texto, que demonstra a profunda dedicação e o cuidadoso estudo na elaboração da edição por parte dos professores Ricardo da Costa e Eliane Ventorim, especialistas em História e Filosofia Medievais. Esta obra constitui um marco histórico para a investigação filosófico-teológica da Angelologia Medieval, pois o autor, mediante um método lógico de investigação, extremamente eficaz, em que a sua doutrina do ato de ser é preponderante, elabora e expõe, de um modo coerente, os argumentos racionais acerca da natureza, da origem e das propriedades dos Anjos, sem recorrer em nenhum momento às fontes reveladas. Obra de grande valor para os estudiosos do pensamento medieval, pois se trata de um instrumento indispensável para a compreensão da Angelologia na segunda metade do séc. XIII; e de igual interesse para os amantes de uma boa leitura, pois convida a todos para um "tour" sobrenatural no mundo da hierarquia celeste. Clique aqui para ver o índice.